terça-feira, 5 de julho de 2011

Uma Peste Chamada Favoritismo

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      Há muito vem se propagando no meio educacional  um apurado senso crítico, mas apurado de tal forma e de tal modo condensado que só pode ser visto em grande parte dentro da cabeça dos professores ou em pequenas rodinhas de indignação nos cantos dos colégios. Essa revolta muitas vezes ao longo do tempo vem se transformando em desesperança e apatia...
    Pra falar de tal forma tomo por base os atuais movimentos mostrados pela mídia pela reivindicação de direitos pra não citar aqui a parada gay e já citando com seus "ideais" nos estenderemos á atual marcha da maconha. Mesmo os usuários de droga, aqueles que estão á margem da sociedade conseguiram do supremo autorização e mais; a proteção policial pra desenvolver uma marcha a favor imaginem vocês ...  a favor da maconha.
    Fico aqui me perguntando onde estão os professores que não conseguem melhores condições de trabalho e salários justos se mesmo uma turma de caráter duvidoso consegue que o todo poderoso STF  se coloque á seu favor.
    Os professores não se mobilizam em sua totalidade? Por quê?
    Sempre falei nos grupos dos quais fiz parte durante bons anos de minha caminhada enquanto professora,  e nas reuniões promovidas quando se nos falava através de dinâmicas de grupo e de textos reflexivos sobre união e colocarei aqui pra vocês sob pena de ser mal interpretada o que pra eles colocava...
    "Se a classe de professores fosse uma classe unida coordenadores e orientadores não nos viriam falar de união, não nos viriam pedir união e compartilhamento de ideias e saberes, não se pediria tanto que se aplicasse a interdisciplinaridade, mas é fato ... Somos uma classe desunida e em sua grande maioria desesperançada pra não dizer egoísta e presunçosa."
    Os professores em Minas estão em greve, mas apenas parte deles, os professores no Rio estão em greve, mas apenas parte deles... Não culpo os professores, seu medo, sua covardia... Não totalmente eles...
    Não culpo totalmente o sistema por seu capitalismo selvagem que amordaça e não só os alienados por se permitirem conduzir á custa de pão e circo como outrora, ou só os professores que dobrando-se ao sistema e sendo alienados propagaram esse ensino da era industrial onde mais vale quem mais tem e ainda que de modo impensado incentivaram e incentivam o consumismo, pois tudo nessa nova sociedade que se instala, a Sociedade do Conhecimento deveria girar em torno do coletivo pra que deste modo a situação do País viesse a mudar.
    Infelizmente ainda temos entre nós uma praga, uma peste, uma doença infeliz e mortal chamada Favoritismo  e é essa doença nacional que causa a morte de muitos bons profissionais e os torna apáticos e  sem esperança, pois na sociedade atual a dita sociedade do conhecimento onde se  deveria ensinar para o bem comum, para a coletividade, para o melhor pensar e o melhor viver mais  se vive em função do capital, do acumular, do juntar e do "Farinha pouca meu pirão primeiro!" .
    Como alguém que vive em função do capital poderia realizar um trabalho voltado para o oposto dele?
    É preciso que se promova na mente dos professores ditos "detentores do saber" uma mudança de pensamento, um senso de coletividade uma nova forma de ver o ensino e o mundo pra que possamos ter um princípio de mudança.
    Se estamos revoltados?
    Disso não se pode ter dúvidas. Estamos terrivelmente revoltados e indignados e por isso mesmo muitos estão perdendo o foco ...
    Nós somos professores e devemos ter esperança? Somos indivíduos indispensáveis e importantes na formação do perfil da sociedade? Influenciamos vidas? Plantamos esperanças no coração? Contamos histórias e encantamos nossos alunos?
    Me parece que deixamos de acreditar nisso e apenas nos enxergamos como mendigos a implorar ao governo o pão de cada dia pra alimentar as bocas de nossos filhos, nos revezando entre três empregos pra ter mais e abandonando nas mãos de secretárias do lar esses mesmos filhos que tanto queremos dar nosso melhor. O melhor certamente não seria privá-los de nossa presença ... Tudo isso por que acontece por que o mundo é capital, é dinheiro,  é a crença de que melhor vive quem mais tem.
Poderíamos lembrar das palavras de Karl Marx:
    "Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. «És» menos, mas «tens» mais. Assim, todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça. "
    Não acredito que  estamos aqui simplesmente pra questionar salário de A ou B ou reclamar de canto de boca de nossos salários miseráveis e humilhantes... Eu já trabalhei de professora com nome de monitora em Holerite por que a prefeitura queria me pagar  R$ 118,00  burlando a lei ... e durante três anos foi isso que ela pagou , pois era isso que eu estava aceitando e é isso que muitos ainda aceitam pelos interiores desse nosso Brasil. Eles talvez estejam dispostos á ir a luta , a soltar seu grito de revolta, descompactar essa indignação de sua mente e gritar em alto e bom tom.
- EU MEREÇO SER TRATADO COMO GENTE. MEREÇO MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E MELHORES SALÁRIOS POR QUE EMPREGO MINHA VIDA Á MINHA PROFISSÃO.
    Mas entremos de cabeça na questão e vejamos que essa peste chamada Favoritismo inseriu em nosso meio pessoas despreparadas, desqualificadas e descompromissadas de tal modo que muitas delas sequer merecem receber o piso salarial. Muitas ocupam o cargo de gestoras sem qualquer preparação pra exercer essa função crucial para o bom  funcionamento da escola simplesmente por levantar uma bandeira pra político A e B.
    Enquanto eu gritava que se era monitora estava auxiliando um professor no mínimo imaginário ou invisível outros tantos se calavam ou por que estavam de boca calada sendo favorecidos e ganhando mais ou esse era o único emprego se conseguia no município e falar significaria estar desempregado instantaneamente.
    Estavam e estão todos a mercê do sistema que amordaça e encabresta.
Um ou dois gritam, mas gritam sozinho porque 9 ou 10 se calam e dizem:
_- SIM SENHOR! ACEITAMOS ESSE SALÁRIO, UMA SALA MULTISSERIADA E COBRANÇAS DIÁRIAS SÓ PRA DIZER QUE ESTOU EMPREGADO!
    Empregado ou escravizado?
    Em  relação á isso pouco se pode fazer uma vez que a peste do favoritismo político amarra 70% da categoria em seu cabresto de alienação e 30% grita sozinho pelas ruas marchando por melhores condições de emprego.
Isso vai mudar um dia caros colegas?
Não sei... realmente não sei ...
A única coisa de que tenho certeza no presente momento é que existe em nosso país uma peste cahamada Favoritismo. Ela está presente em todos os setores públicos e atinge em cheio todas as classes.
    Hoje em dia gabarito e competência curricular no desempenho de uma função tornaram-se irrelevantes uma vez que o que realmente conta é o seu ‘Pistolão”. Pra se conseguir um cargo de secretária de educação, gestor escolar , coordenador ou mesmo ser promovido no setor da educação não precisa que se torne doutor ou tenha uma série de graduações, anos de profissão, experiência em sala de aula e fora dela... Não. .. isso tudo é dispensável ... Bobagem ... O que você realmente precisa pra crescer em sua profissão é um padrinho político e pra conseguir basta criar um mecanismo de luta em prol da candidatura de A ou B , mobilizar toda sua família pra que vote nele, alardear aos 4 ventos que ele é um político sério, comprometido com a sociedade e honesto.
    Realmente revoltante e a respeito disso o que podemos fazer?
Marchar e acreditar que um dia  boa parte do que se vê  pode mudar, mas pra isso é necessário que a despeito de bons ou maus salários ensinemos nossos alunos  a arte do pensar , despertemos nele o amor por suas próprias ideias e o ajudemos a tornarem-se seres esclarecidos.
Talvez nem cheguemos a viver pra vislumbrar essa transformação . É como uma árvore que se planta pra que nossos netos venham saborear seu fruto, e nisso fico com as palavras de Martin Luther King:
     "Se o mundo acabasse amanhã, ainda hoje eu plantaria uma árvore."
   Não basta apenas ficar revoltado e indignado nos cantos das salas ou em sites de relacionamento. Nas ruas marchando é que se faz revoluções e na aplicação e renovação de nossa metodologia é que se transforma a sociedade.
    Futuramente a praga se extinguirá e a geração futura comerá o fruto da não alienação e do esclarecimento. Mas pra que tudo aconteça antes eu preciso continuar plantando com amor e sabedoria no coração das crianças e jovens desse país.
                                                                                                  Por Gi Barbosa


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