domingo, 2 de outubro de 2011

Professor Pesquisador... O que é isso?

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Professor pesquisador
Lucas Henrique Backes
Introdução

Há tempos vem se discutindo sobre a possibilidade e a necessidade de formação de  um professor pesquisador. Para compreender essa discussão é imprescindível que se saibam quais são as características básicas de um professor pesquisador. Para tanto no presente trabalho apresentar-se-á uma breve discussão acerca do conceito de professor pesquisador,quais os objetivos, as finalidades da sua pesquisa, qual a relação entre professor pesquisador e professor reflexivo, o por quê de formar um professor pesquisador e quais as necessidades para esta formação.
Tal trabalho constitui-se basicamente de uma revisão bibliográfica da literatura já existente acerta deste assunto.




Professo pesquisador

Como podemos definir professor? E pesquisador?
Segundo Lima (2007), pode-se definir o professor como aquele profissional que ministra, relaciona ou instrumentaliza os alunos para as aulas ou cursos em todos os níveis educacionais, segundo concepções que regem esse profissional da educação e o pesquisador, como aquele que exerce a atividade de buscar reunir informações sobre um determinado problema ou assunto e analisá-las, utilizando para isso o método científico com o objetivo de aumentar o conhecimento de determinado assunto, descobrir algo novo ou refutar conjecturas anteriores.
Então o que seria professor-pesquisador? Seria um profissional dotado de todas as características de professor e pesquisador?
Segundo Garcia (2007), professor pesquisador seria aquele professor que parte de questões relativas a sua prática com o objetivo de aprimorá-la.
Nesta linha, a autora citada acima aponta que, na literatura atual, são apresentadas diferenças entre a “pesquisa do professor” e a “pesquisa acadêmica ou científica”. No que diz respeito à finalidade ela aponta que a pesquisa acadêmica tem a preocupação com a originalidade, a validade e a aceitação pela comunidade científica. A pesquisa do professor tem como finalidade o conhecimento da realidade para transformá-la, visando a melhoria de suas práticas pedagógicas e a de seus colegas de profissão. Em relação ao rigor ela aponta que como o professor pesquisa sua própria prática ele encontra-se envolvido com seu objeto de pesquisa, diferentemente do pesquisador teórico. Quanto aos objetivos, ela afirma que a pesquisa do professor tem caráter utilitário, os resultados existem para serem usados na sala de aula. A pesquisa acadêmica em Educação em geral está conectada com objetivos sociais e
políticos mais amplos. A pesquisa nas ciências, como a Matemática, tem objetivos de contribuir com o a estrutura teórica, aumentando um corpo de conhecimentos já existente – com novos teoremas, p.ex. -, numa forma coerente, lógica e com base em técnicas próprias de comprovação de verdades, como, por exemplo, com as demonstrações. Portanto, “...o professor pesquisador centra-se na consideração da prática, que passa a ser meio, fundamento e destinação dos saberes que suscita, desde que esses possam ser orientados e apropriados pela ação reflexiva do professor.” (Miranda 2006, p. 135)
Existe um grupo de estudiosos que defende a idéia de que a atividade de ensinar é diferente da atividade de pesquisar. Segundo eles “[...] o professor e o pesquisador têm trajetórias profissionais distintas e, portanto, a formação desses profissionais deve estar voltada para o desenvolvimento de competências compatíveis com o exercício de cada uma dessas funções” (Santos apud Lima, 2007, Sp). Em contra partida, há um outro grupo que defende a pesquisa como elemento primordial na atividade do professor e que para o pleno exercício desta atividade o professor deve ser
pesquisador/reflexivo.
Reflexão sobre a prática é de fundamental importância, independente se formado ou estimulado a tal
atitude, pois é daí que o professor poderá avaliar-se e terá a condição de modificar suas ações,
podendo assim fazer jus a grande responsabilidade que lhe foi atribuída. O que não pode ser
retirado pelos defensores da dissociação entre o professor e o pesquisador é o espírito de
investigação. (Lima, Sp)
Surge aí “mais um conceito”, o de professor reflexivo: “aquele que reconstrói
reflexivamente seus saberes e sua prática.”(Miranda 2006, p. 132)
O professor reflexivo é, pois, fundamentalmente, um professor investigador, pois ele e só ele é capaz
de examinar sua prática, identificar seus problemas, formular hipóteses, questionar seus valores,
observar o contexto institucional e cultural ao qual pertence, participar do desenvolvimento
curricular, assumir a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional e fortalecer as ações em
grupo. (Zeichner e Liston, apud Geraldi, Messias e Guerra, apud Miranda 2006, p. 134)
Nesta perspectiva, “a reflexão é um processo que ocorre antes, depois e durante a ação do professor, constituindo um processo de reflexão na ação e sobre a ação”(Miranda 2006, p. 134) Tal atitude, a reflexão, apareceria como indispensável, pois segundo Miranda a prática pedagógica não é (ou pelo menos não deveria ser) uma mera atividade técnica como muitas vezes é entendida, mas sim uma atividade prática, daí a necessidade de formação de um professor reflexivo.
Qual a relação entre professor pesquisador e professor reflexivo?
O professor pesquisador e o professor reflexivo, no fundo, correspondem a correntes (conceitos)
diferentes para dizer a mesma coisa. São nomes distintos, maneiras diferentes dos teóricos da
literatura pedagógica abordarem uma mesma realidade. A realidade é que o professor pesquisador é
aquele que pesquisa ou que reflete sobre a sua prática. Portanto, aqui estamos dentro do paradigma
do professor reflexivo. É evidente que podemos encontrar dezenas de textos para explicar a diferença
entre esses conceitos, mas creio que, no fundo, no fundo, eles fazem parte de um mesmo movimento
de preocupação com um professor que é um professor indagador, que é um professor que assume a
sua própria realidade escolar como um objeto de pesquisa, como objeto de reflexão, como objeto de
análise. (Nóvoa, 2001, Sp)
Entendendo que “a experiência por si só não é formadora” (Nóvoa, 2001, Sp),
Miranda (2006) chama atenção para a necessidade de uma reforma curricular para que se
possa garantir uma formação teórica sólida do professor pesquisador (formação inicial e
continuada), para que em sua pesquisa não haja um prevalecimento da prática sobre a teoria,
do senso comum sobre o conhecimento sistematizado e assim não se corra o risco de: · que sua pesquisa se converta em mais uma retórica legitimadora da reforma educacional, pondo mais responsabilidades sobre os ombros dos professores, responsabilizando-os uma vez mais por seus insucessos; · confirmar uma prática adaptativa com relação aos problemas existentes.
Reflexão pode passar a ser sinônimo de resolução de problemas na escola;· reduzir-se, em lugar de elevar, as reais possibilidades de reflexão crítica do professor; · reduzir as possibilidades do professor se aproximar de uma discussão teórica que não seja orientada para um fim imediato. Esquece-se de que nem todo conhecimento produzido teoricamente precisa ser orientado e nem a prática escolar
imediata, nem a educação pode-se restringir à sala de aula e à escola; · desqualificar a universidade como instância formadora de professores;
Mas por quê a preocupação em formar professores pesquisadores?
Segundo Lima (2007), a preocupação com a formação do professor pesquisador estaria fundamentada na intenção de tirar a educação apenas da transmissão de conhecimento já formulado, para tanto a pesquisa possibilitaria aos professores exercerem um trabalho com os alunos que vise a formulação de novos conhecimentos ou o questionamento tanto sobre a validade quanto sobre a pertinência dos já existentes.
Neste sentido, a necessidade de formação de um professor pesquisador se apresentaria pela necessidade da educação para o pensamento e não simplesmente para a recepção de informações. Assim apresenta-se “mais” um compromisso a ser assumido pelos cursos de formação de professores, mais precisamente pelos professores destes cursos, pois: se os professores responsáveis pela formação dos futuros professores não assumirem esse compromisso (educação para o pensamento e não para a recepção de informações unicamente), como esperar que os alunos cuja atuação se dará em níveis anteriores da escolarização, e que tem possivelmente menos condições para enfrentar sozinhos  essas dificuldades, realizem essa importante tarefa? (Pavanello, 2003, p. 12)
A formação de um professor pesquisador com bases teóricas sólidas e a adoção de
uma postura reflexiva crítica perante sua prática são processos difíceis, porém abrem as portas
para a melhoria da educação, assim nessa perspectiva de diálogo e formação, as transformações da prática passam a ser consideradas como sínteses de mediações, continuamente renovadas, entre ação e reflexão e requerem o papel ativo do professor construindo o seu próprio desenvolvimento profissional. (Franco, 2005)

Conclusão

Essa maneira de conceber a prática pedagógica, como uma prática reflexiva e não como uma atividade meramente técnica, requer que os docentes apropriem-se de saberes que  vão adquirindo em processos reflexivos com o coletivo dos profissionais e em contínuo  diálogo com as teorias, diálogo este visto como indispensável, pois como já mencionado anteriormente, a experiência por si só não é formadora.
Neste sentido, percebe-se a importância da formação de um professor reflexivo/pesquisador, ou seja a formação de um profissional capaz de analisar sua própria prática e através desta análise aprimorar sua prática pedagógica no sentido de formar cada vez mais pessoas capazes de pensar, formar para o pensamento e não simplesmente para a recepção de informações.
Para tanto, percebe-se também a necessidade de adequação dos cursos de formação de professores para que possam possibilitar uma formação teórica sólida aos docentes ou futuros docentes disponibilizando ferramentas para que estes consigam manter uma postura reflexiva crítica frente a sua prática e ai sim aprimorá-la.

Referências:

GARCIA, Vera C. G. Fundamentação teórica para as perguntas primárias: O que é
Matemática? Porque Ensinar? Como se ensina e como se aprende? Apostila, 2007.
FRANCO, Maria A. S. Pesquisa-Ação sobre a Prática Docente. In: Educação e Pesquisa
vol.31 nº.3 São Paulo Sept./Dec. 2005, Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022005000300008&script=sci_arttext
Acessado em 21/11/2007
LIMA, Marcos H. M. O professor, o pesquisador e o professor-pesquisador. Disponível em:
http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3754
Acessado em 22/11/2007
MIRANDA, Marília G. de. O Professor Pesquisador e Sua Pretensão de Resolver a Relação
Entre a Teoria e a Prática na Formação de Professores. In: O Papel da pesquisa na
formação e na prática dos professores. Campinas: Papirus, 5 ed, 2006, p.129-143
NÓVOA, Antônio. O Professor Pesquisador e Reflexivo. Entrevista concedida em 13 de
setembro de 2001. Disponível em:
http://www.tvebrasil.com.br/salto/entrevistas/antonio_novoa.htm
Acessado em 22/11/2007
PAVANELLO, Regina M. A Pesquisa na Formação de Professores de Matemática Para a
Escola Básica. In: Educação Matemática em Revista, nº 15, ano 10, 2003 p. 8-13

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