quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Educação Infantil - A que veio e para onde vai

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Educação Infantil - A que veio e para onde vai
Por Gi Barbosa Carvalho
 
Introdução:

O presente trabalho pretende refletir sobre a Educação Infantil e suas especificidades procurando compreender dentro dos aspectos históricos, políticos e sociais a que veio e para onde vai.
Será que a visão assistencialista e de desprezo em relação às especificidades da infância predomina até os dias de hoje, ou conseguimos avançar significativamente rumo à compreensão da criança e suas necessidades?
Este é o tema central de nosso trabalho que está apoiado nas disciplinas do 4° semestre do curso de Pedagogia

Desenvolvimento:

A Educação Infantil sofreu grandes modificações ao longo do tempo e isso veio acontecendo através de um processo contínuo. Um processo não apenas individual, mas coletivo, social e histórico.
É inconcebível, na atual conjuntura, pensar uma criança isenta de direitos, mas por séculos ela foi recrutada ainda muito cedo para o trabalho nas fábricas, maltratada, desprezada e descartada como artigo de menos valia.
Era tida como fruto do pecado, ser humano com a “maldade intrínseca” que precisava ser vigiada, disciplinada e corrigida. Contudo uma nova forma de ver a criança e o conceito de infância nasceu com Jean Jaques Rosseau no século XVIII quando defendia que “a criança nasce pura, a sociedade é que a corrompe”.
É fato incontestável que na antiguidade a criança não encontrava um papel de destaque na sociedade, no sentido de ser um cidadão com direitos a serem respeitados, ou mesmo de ter vestuário próprio e diálogo diferenciado. Do mesmo modo, logo que se julgasse possível ingressavam no mundo do trabalho adulto de forma efetiva como acontece ainda hoje em muitas regiões do Brasil.
Foi com o surgimento da Revolução Industrial e o advento capitalista que nasceu a necessidade da criação de locais onde as crianças pudessem ser cuidadas para que suas mães ingressassem no mercado de trabalho. A princípio existiram as casas das mães mercenárias, ambiente em que as crianças sofriam maus–tratos e ficavam aos cuidados de mulheres despreparadas em condições precárias de higiene. 
Em 1844 Firmin Marbeau cria a primeira creche em caráter puramente assistencialisa. 
Já no Brasil a roda dos expostos era a única instituição de amparo à criança abandonada, instituição essa que ainda tinha consigo a visão da idade média e utilizava-se de castigos e violências para impor disciplina, afinal à criança ainda era vista como descartável e sem valor.
A história da Educação Infantil vinha sendo escrita desde o século XVIII, não levando em consideração os aspectos de ensino, aprendizagem e Ludicidade.
É no século XX com a Constituição de 1988 que a criança passa a ter direito à Educação , quando se delega como dever do estado o “atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade” seguido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) que “estabelece, pela primeira vez na história de nosso país, que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica” fazendo assim com que a forma de vermos a infância venha se modificando ao longo dos anos.
Pensadores como Comênio, Rousseau, Pestalozzi, Decroly, Froebel e Montessori configuram as novas bases para a educação das crianças. Embora eles tivessem focos diferentes, todos reconheciam que as crianças possuíam características diferentes dos adultos, com necessidades próprias (OLIVEIRA, 2002).
É fato, que ainda hoje a criança é tida como um adulto em miniatura por muitos profissionais da Educação Infantil, que não levam em conta suas especificidades e buscam apenas cuidar, ou apenas educar, não levando em consideração que cuidar, educar e brincar são práticas indissociáveis tendo cada uma delas importância fundamental para o desenvolvimento, físico, intelectual e moral da criança.
No trabalho com as crianças é preciso levar em consideração que:

A infância tem maneiras de ver, de pensar, de sentir que lhe são própria; nada há de mais insensato que querer substituí-las pelas nossas[...] (ROUSSEAU apud ELIAS, 2000, p. 54).
Muito se tem feito no sentido de compreender essa fase e trabalhar com a criança de forma adequada. E é de suma importância que o professor de educação infantil esteja bem fundamentado, conhecendo as diversas fases de desenvolvimento da criança, e lançando mão dos Referenciais Nacionais para Educação Infantil para planejar suas aulas de modo a atender à necessidade de sua turma levando em consideração os eixos de trabalho que deverão ser contemplados em suas aulas em um processo constante de avaliação e reavaliação de sua prática.
Para HOFFMANN (1996):

Historicamente, a avaliação na Educação Infantil desponta como um “elemento” de controle sobre a escola e sobre as professoras que se vêem com a tarefa de formalizar e comprovar o trabalho realizado via avaliação das crianças.
Contudo, podemos compreender a avaliação como sendo um processo que envolve não apenas a conceituação e classificação das competências do aluno, mas envolve significativamente o professor. Envolve-o na reflexão sobre suas ações e sua prática frente à sua turma. Envolve-o no que diz respeito a si mesmo e ao outro.
A grande dificuldade em se desenvolver um bom planejamento esbarra na falta de instrumentalização do professor. Na falta de conhecimento de metodologias que podem facilitar seu trabalho e auxiliar no desenvolvimento pleno das capacidades de seus alunos.
Muitos professores ainda fazem uso demasiadamente de métodos sintéticos alegando a eficiência dos mesmo, enquanto que os PCN’S considerem os métodos analíticos a melhor opção na atual conjuntura o que vem causando um impasse no meio educacional que por vezes compromete o processo de ensino e aprendizagem. Em nossa visão é necessário observar a cultura e o meio social do aluno e através dessas observações considerar aspectos de um e outro método e fazer a utilização de acordo com a necessidade da turma aproveitando o melhor que cada um pode oferecer.
Não se pode dizer que o método não importa, afinal é a forma como o professor irá conduzir seu fazer pedagógico. Essa forma vai espelhar aquilo em que o professor acredita, sua visão será passada através de suas ações e suas metodologias serão melhoradas diariamente através do aperfeiçoamento de sua prática. É essa forma de ver e de fazer que o auxiliará no momento da criação de um ambiente alfabetizador, repleto de significado em que o aluno será contemplado de forma positiva.
Mais do que um método de alfabetização é considerado de suma importância abrir diálogo com as crianças, ouvi-las compreendê-las, criar meios para que possam socializar com seus colegas e assim expandir seus horizontes através da roda de conversa.
De acordo com os RCNEI’S:
A roda de conversa é o momento privilegiado de diálogo e intercâmbio de idéias. Por meio desse exercício cotidiano as crianças podem ampliar suas capacidades comunicativas,como a fluência para falar, perguntar, expor suas idéias, dúvidas e descobertas, ampliar seu vocabulário e aprender a valorizar o grupo como instância de troca e aprendizagem.( BRASIL 1998, p.138).

Um outro aspecto de extrema relevância nas salas de aula de educação infantil é a ludicidade. A ludicidade na educação infantil não é apenas recomendável, mas necessária em cada uma das fases da criança.
Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois brincando aprende a socializar-se com outras crianças,desenvolve a motricidade, a mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim com prazer” (Cunha 2001, p.14).
É realmente triste ver que esse aspecto está sendo visto não como um momento de aprendizado efetivo, mas como passatempo imposto pelo professor para o aluno. O que foge drasticamente ao elemento principal do jogo ou da brincadeira que é a liberdade. 
Para PIAGET (1967)
“o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”
Urge criar nas escolas espaços para que as crianças possam brincar livremente, exercitar sua imaginação, brincar de faz de conta, manipular objetos e assim desenvolver-se plenamente em todos os aspectos. A brinquedoteca é um desses espaços que permite à criança viver a plenitude de sua liberdade infantil com criatividade e prazer.
Para CASARIN (2002):
[...] a Brinquedoteca escolar é um espaço que permite o brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de suas pontecialidades e necessidades lúdicas, com presença de muitos variados e diversos materiais,  permitem a expressão da criatividade infantil.
Almeida Casarin (2002,p.1)
É, portanto imprescindível que o professor, tendo em vista as especificidades da infância inclua em seu planejamento momentos para trabalhar com a criança de forma lúdica, atrativa, respeitando sua liberdade, incentivando o desenvolvimento de sua autonomia e após uma avaliação de sua prática e da turma, criar novas estratégias e metodologias que contemplem não a sua necessidade, mas a necessidade da criança enquanto cidadão que merece respeito e, sobretudo garantia de cumprimento de seus direitos.

Conclusão:

É preciso que a Educação Infantil seja vista não como apenas uma etapa de preparação para a alfabetização e letramento, mas que seja respeitado o direito da criança de ser cuidada e educada em meio a um ambiente que respeite as especificidades da infância, onde a brincadeira não seja vista como um passatempo, não seja imposta, mas seja livre e dê liberdade à criança para exercitar sua criatividade.
A educação infantil veio, ao longo do tempo sofrendo alterações significativas, veio para cuidar, firmou-se no educar e é efetivada no brincar. Mas não um brincar fora de um planejamento, de um objetivo e de uma metodologia, mas um brincar que contempla a criança e suas necessidades de desenvolvimento, físico, intelectual, moral, afetivo, emocional, social e histórico.
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REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Anne.  Ludicidade como instrumento pedagógico. 1997. Disponível em: <http://www.pedagogia.com.br/artigos/importanciadabrinquedoteca1/index.php>. Acesso em: 04 out.2012.

BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil: conhecimento de mundo. Brasília: MEC/SEF, 1998b.v.2.

CUNHA, Nylse Helena da Silva. Brinquedo, desafio e descoberta para utilização e confecção de brinquedos. Rio de Janeiro: Fae, 1988.

LIMA, Lílian Salete Alonso Moreira; TEIXEIRA, Ana Maria de Souza Valle. Ensino da linguagem oral e escrita: pedagogia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

OLIVEIRA, Zilma Rams de Oliveira. Educação Infantil: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2005.

PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

RAIZER, Cassiana Magalhães. Organização e Didática na Educação Infantil: pedagogia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

SILVEIRA, Ana Paula Pinheiro da. Fundamentos da Alfabetização: pedagogia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

STEINLE, Marlizete Cristina Bonafini; SUZUKI, Juliana Telles Faria. Educação da criança de 0 a 5 ano: pedagogia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

SUZUKI, Juliana Telles Faria et al. Ludicidade e Educação. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.

Um comentário:

  1. Olá flor!!! Parabéns pelo belo cantinho, cheio de dicas maravilhosas!!!! Já sou sua mais nova seguidora, adoraria receber sua visitinha!!!! Bjossssssssssss

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